Goliath Bonus in Portuguese

A Portuguese fan named Guilherme Pires has kindly translated the post-Goliath Bonus Chapter I wrote last year. Huge thanks to him for this service. I hope that all you Portuguese-speakers out there enjoy it.

(NOTE BRAZILIANS, this is a huge spoiler, because Leviathan isn’t out yet, but will be in two months!)

Anyway, here we go . . .


– Esta situação é absurda – disse Alek.

– Pela qual apenas se pode culpar a si –?Esboçando um ligeiro sorriso, o Conde Volger recostou-se no sofá de veludo púrpura do quarto de hotel. – Avisei-o para não fazer aquela aposta.

– Era uma questão de princípio!

– Ah, jovem príncipe, ou Sr. Hohenberg, se faz tanta questão, será que nunca irá aprender que quando se trata de um julgamento por combate, não há princípios? Apenas força bruta.

Alek deixou o espelho e virou-se para lançar um olhar frio ao conde. – Um julgamento por combate? Muito engraçado – Suspirou ele. – Eu realmente não pensei que ela me pudesse derrotar.

– Miss Sharp passou vários meses a escalar às enfrechaduras. Calculo que faça maravilhas pelos músculos.

Alek assentiu, esfregando o ainda dorido bicep direito. Tinha mesmo sido uma batalha. Um verdadeiro julgamento por combate!?Num instante, ele e Deryn estavam a ter uma discussão perfeitamente razoável sobre os méritos dos dois sexos, força, resistência, tolerância à dor, e subitamente ele tinha dito algo imperdoável e Deryn estava a desafia-lo para um braço-de-ferro.

Ser derrotado por ela não teria sido assim tão mau, afinal ela era Deryn Sharp, mas Alek tinha ido demasiado longe e feito aquela aposta idiota.

Se ao menos esta festa de Final de Ano não fosse um baile de máscaras. Nunca irei entender a adoração que os britânicos têm por disfarces. Todos os funcionários da Sociedade Zoológica de Londres andaram a palrar durante vários dias sobre os disfarces que iriam usar. A maioria iria como monstrinhos, ou grandes cientistas famosos, ou caricaturas de figuras modernas como políticos ou clérigos dos Macacos Ludistas. Outros iriam ficar-se pelos disfarces mais clássicos: anjos, demónios, Grécia antiga, ou fadas do bosque.

Como novatos na Sociedade, tanto ele como Deryn tinham estado algo ansiosos quanto à escolha dos seus disfarces. (E para Alek, toda aquela coisa dos disfarces parecia-lhe francamente vulgar, mesmo agora que ele já tinha renunciado a toda a sua herança e pretensões de realeza.)

Portanto, um braço-de-ferro tinha parecido uma ideia brilhante para resolver aquele assunto, pelo menos para um deles. E tal como o Conde Volger lhe continuava a lembrar, a aposta tinha sido uma ideia inteiramente sua.

Até teria sido divertido, se ao menos ele não tivesse perdido. Então seria Deryn e não ele a usar um vestido. Ele tinha de admitir que a sua própria curiosidade o tinha precipitado para aquela aposta imprudente. Como ficaria Deryn com vestuário adequado ao seu próprio género?

Não que ele se importe de a ver de calças e blusão todos os dias. Parte do apelo da sua relação, assentava no facto de ele saber algo sobre ela que apenas mais meia dúzia de pessoas sabiam. Mas mesmo assim, ele estava tão curioso como qualquer rapaz na sua situação estaria.

– Este faux-cul está no sítio correcto?– Perguntou ele.?– Há apenas um único sitio para usar um faux-cul, Alek.

E é exactamente esse – Gracejou o conde Volger. – Não lhe parece . . . desnecessariamente grande?

– Certamente uma interrogação com a qual as mulheres se vem defrontando há décadas.

– Não seja impertinente, Conde. Eu estava a falar do faux-cul – Disse Alek enquanto endireitava os laços que se espalhavam praticamente por todo o vestido. – E eu não estaria tão pronto a gozar com os outros se estivesse disfarçado de lagarto mensageiro.

O Conde Volger olhou para o focinho reptilineo de papel machê que se encontrava ao seu lado no sofá. Então, com um encolher de ombros, agarrou na máscara e colocou-a na cabeça. Era pintada de castanho mosqueado com realces de verde, imitando na perfeição as cores de um lagarto mensageiro ao serviço do Serviço Aeronáutico. A cara do conde espreitava por entre as mandíbulas da monstruosa máscara.

– Devemos estar sempre prontos para um pouco de brincadeira, vossa Já-Não-Tão Sereníssima Alteza – Volger ergueu o copo e, manobrando-o por entre as mandíbulas, bebeu um gole.– De outro modo a politica tornar-se-ia intolerável.

Alek olhou mais de perto para o conde. As suas bochechas estavam um pouco rosadas, e a garrafa de champanhe ao lado do sofá estava praticamente vazia.

– Está embriagado, conde?

Volger riu-se, e saboreou mais um gole. – É Véspera de Ano Novo, Sr. Hohenberg, e de forma a granjear os favores da organização mais misteriosa do mundo, estou disfarçado da criatura mais inquietante da história da fabricação de monstrinhos. Uma vez que me estou prestes a lançar numa festa cheia de cientistas e agentes secretos, eu não diria que estou embriagado, meramente fortificado.

– Realmente – Alek voltou-se de novo para o espelho, perguntando-se quão mais fortificado o Conde Volger estava a planear ficar esta noite.

Desde que Alek se tinha juntado à Sociedade Zoológica, que o conde não sabia bem o que fazer com o seu tempo. A guerra estava a acalmar, com o Kaiser a perceber que os inimigos eram demasiado numerosos, agora que os EUA tinham entrado na guerra. Havia rumores de uma conferência de paz no início de 1915, conversações que deveriam acabar de vez com a luta entre Darwinistas e Clanker, ou pelo menos reduzi-la de carnificina à escala mundial para uma saudável competição entre tecnologias.

Sem guerra para influenciar e sem príncipe para elevar ao trono do império Austro-húngaro, os dois principais objectivos da vida de Volger tinham subitamente desaparecido. Os Austríacos iriam lembra-lo como aquele que levou para longe o seu jovem herdeiro, portanto voltar para casa seria difícil, e o Reino Unido estava demasiado cheio de monstrinhos ateus para o seu gosto.

E no entanto. . .

– Granjear favores? – Perguntou Alek, agarrando no guarda-sol que a Deryn tinha escolhido para ele. Pelo menos combina com a cor do vestido. – Porquê importar-se com aquilo que a Sociedade Zoológica pensa de si, considerando aquilo que pensa deles?

– Poderei necessitar deles futuramente –?O conde soava agora bastante sóbrio. – Sabe, eu tenho uma grande admiração e respeito pela natureza, e chegará o dia em que criaturas fabricadas fora de controlo poderão representar um perigo para a vida selvagem natural e os seus habitats. A Sociedade pode vir a ser muito útil neste tema.

Alek arqueou uma sobrancelha. Ele nunca tinha pensado em Volger como um preservacionista, já que tinha morto pelo menos duas centenas de veados com o arquiduque, o pai de Alek. Claro que quando o jovem Volger coleccionava troféus de caça, existiam vastas áreas selvagens no coração da Europa. Actualmente essas áreas estavam muito mais reduzidas.

– Já ouvi falar disso – disse Alek. – Pragas de rãs- papagaio à solta na Austrália, a palrarem com sotaques engraçados. Parece algo inquietante.

– Não tanto como esses saltos – disse Volger, quebrando toda a seriedade da conversa. – Mas uma aposta é uma aposta Sr. Hohenberg.

A festa de Final de Ano da Sociedade Zoológica de Londres era no andar abaixo ao quarto de Alek, no

salão de baile principal do Hotel Savoy. Alek ficou surpreendido e um pouco alarmado por ver a quantidade de gente que vinha à festa. Ele tinha assumido que a assistência para a sua humilhação seria limitada a membros efectivos da Sociedade, uma dúzia de cientistas e talvez duas dúzias de tratadores e treinadores de animais. Mas o grande salão de baile estava praticamente cheio, com mecenas, apoiantes políticos, e agentes especiais da Sociedade, como ele e Deryn, bem como as suas esposas, convidados e outros penduras.

– Oh meu deus! – disse Alek.

– Realmente – resmungou Volger através das mandíbulas da sua cabeça de lagarto. – Talvez tivesse sido mais sensato usar uma máscara.

– Isso seria batota – Alek respirou fundo, colocou o guarda-sol ao ombro como se fosse uma espingarda e avançou por entre a multidão.

Ele sentia-se absurdamente evidente, e bamboleante naqueles saltos altos, mas ninguém na sala pareceu reparar nele. Surpreendentemente, o seu disfarce era dos mais ligeiros. A quantidade e o nível de elaboração dos disfarces de criaturas fabricadas era tal que um rapaz num vestido não chamava minimamente a atenção. O velhinho director da Sociedade, Dr. Spenser, tinha um autentico ascensor Huxley a pairar por cima dele, concebido de uma espécie de tela pintada colocada por cima de uma nuvem de balões. O director acenou a Alek e Volger, e começou a avançar para eles, mas apercebeu-se que o seu Huxley flutuante ficou preso num candelabro. Vários assistentes apressaram-se a ajudar a desprender o disfarce. Alek puxou o conde para uma retirada apressada, só para o caso dos balões estarem cheios de hidrogénio em vez de hélio.

Ele procurou por Deryn na multidão. Seria melhor revelar o seu disfarce o mais rapidamente possível. Ele perguntou-se que disfarce teria ela escolhido, esperava que não incluísse uma máscara. A ideia de ela o ver vestido daquela forma já era irritante o suficiente, sem que ela o espiasse escondida aos risinhos por detrás de uma máscara.

– Alek? – Surgiu uma voz da multidão. – Céus, esse ao seu lado é o conde?

Alek virou-se e fez uma pequena vénia. – De facto, Dra. Barlow.

A cientista estava vestida como um anjo vingador, com grandes asas emplumadas e uma espada de madeira prateada. Tinha um aspecto aterrador. Ao seu lado, Tazza tinha um pequeno halo prateado na cabeça.

A Dra. Barlow olhou Alek de alto a baixo – Talvez uma reverência fosse mais apropriada.

– Infelizmente, o meu instrutor de dança nunca me ensinou como se faz.

– Certamente que o Sr. Sharp o poderá ajudar.?O lóris empoleirado no seu ombro, que estava vestido

como um querubim, riu–se e disse, – Sr. Sharp.

Alek lançou a ambos um duro olhar. A Dra. Barlow era a outra pessoa na Sociedade Zoológica que sabia o segredo de Deryn. Não parecia muito sensato estar a expor este assunto de qualquer forma, por mais subtil que fosse, numa sala cheia de colegas seus.

Muito dificilmente – disse Volger. – O Sr. Sharp é demasiado viril para esse tipo de coisas.

A Dra. Barlow arregalou os olhos. – O lagarto fala!

– O lagarto apenas repete aquilo que ouve – disse Volger tocando na sua orelha. Ele estendeu-lhe a mão. – A doutora dança?

– Claro, é tão raro ter a oportunidade de dançar com um réptil – Ela acenou a Alek. – Boa noite, Sr. Hohenberg.

O par afastou-se a rodopiar para a pista de dança, com Tazza a segui-los depois de Alek lhe ter dado uma pancadinha na cabeça.

Onde estaria Deryn? Ela sempre tinha chegado cedo a todas as festas a bordo do Leviatã. Sem dúvida que devia estar escondida por detrás de uma mascara algures, observando Alek nos seus saltos altos a girar o guarda-sol.

Enquanto Alek observava a multidão, uma estranha aparição surgiu diante dele. Tinha uma cabeça de pássaro, grandes garras de gato e estava todo coberto por um manto amarelado de pêlo felpudo.

– És tu Dylan? – Perguntou ele.

– Eu não sou nenhum paquete – respondeu o bico de pássaro com uma voz familiar, e então uma das garras alcançou a mascara para a retirar. – Eu sou um magnífico grifo!

Alek recuou hesitante. Por detrás daquele bico de pássaro estava Adela Rogers, a jovem repórter americana que se tinha juntado ao Leviatã na sua passagem pela Califórnia.

Mas o que faria ela ali em Londres, e o que estava a fazer um jornalista numa festa privada da Sociedade?

Especialmente numa festa onde Alek se encontrava vestido de mulher.

Pelo menos ela não era daqueles jornalistas que traziam sempre uma máquina fotográfica, como o insuportável Eddie Malone.

– Calculo que agora já me reconheça, príncipe Aleksandar.

– Realmente, Miss Rogers. No entanto já não sou nenhum príncipe.

– Ah, sim, agora é Sr. Hohenberg, certo?

– Ao seu serviço – Disse Alek tentando desajeitadamente fazer uma reverência.

A repórter sorriu. – Estou a ver que esta noite não é bem um senhor.

Alek encolheu os ombros – Suponho que um baile de máscaras tenha a sua quota-parte de momentos embaraçantes. Mas uma vez que agora já não pertenço à realeza talvez um pouco de humildade seja adequado.

– Oh, eu não diria que esse vestido é humilhante, Sr. Hohenberg. Muito pelo contrário, até é bastante lisonjeador.

– Obrigado – Alek fez uma pequena vénia desta vez. Saía-lhe de forma mais natural, mesmo com o faux-cul a atrapalhá-lo.

Por momentos, ele interrogou-se sobre a quantidade de ajustes, tanto pequenos como grandes, que Deryn deve ter feito para conseguir levar por diante o seu embuste. O modo como ela andava e falava, bem como todas as nuances de comportamento social, tudo isso tinha de ser repensado a cada segundo de cada dia. Era incrível que ela tivesse conseguido ser bem sucedida em algo tão difícil, apenas com a ajuda do irmão Jaspert e com o seu próprio instinto para a guiar.

Deryn era verdadeiramente espantosa, e valia definitivamente a pena abdicar de um império por ela.

– Mas, se me permite uma pergunta – Disse Miss Rogers enquanto tirava o bloco de notas. – Afinal, de quem é que é suposto estar mascarado?

– Ah – Disse Alek engolindo em seco. Depois sua derrota agoniante no braço-de-ferro e no meio de toda a confusão de tentar encontrar um vestido para usar, tinha-se esquecido desse pequeno pormenor.?Não podia simplesmente dizer a esta jornalista que tinha perdido uma aposta, e a ideia de ela escrever no jornal que ele tinha ido a uma festa vestido de mulher era algo inquietante.

Ele procurou desesperadamente por uma resposta, e subitamente encontrou.

– Estou vestido de Ada, condessa de Lovelace – disse ele. – Uma das maiores cientistas Clanker do ultimo século.

Miss Rogers olhou perplexa por um momento. – Não sei se me recordo dessa condessa. Uma cientista Clanker? Mas o nome soa bastante britânico.

– Sim, e o seu trabalho está no cerne de todos os motores mecânicos analíticos. O sistema de equilíbrio do meu Trovão, por exemplo – Enquanto falava, as mãos de Alek agarraram comandos imaginários. Já tinha passado demasiado tempo desde a última vez que pilotara um marchador. E tinha esperança que a primeira missão dele e Deryn fosse num pais Clanker, onde talvez pudesse ter oportunidade de pilotar de novo.

– Estou a ver – Disse Miss Rogers escrevinhando com o seu lápis. – Um pouco semelhante a si, ela conseguiu atravessar as linhas de combate. Um súbdito da rainha, mas simultaneamente uma Clanker. Uma mulher, mas um cientista.

Alek assentiu, aliviado por ter encontrado uma escolha tão adequada – Tal como eu tive nascimento nobre e fui criado um Clanker, mas estou agora aqui como um simples Darwinista.

Ela sorriu. – E um rapaz num vestido de mulher. Acho que o começo a entender, Sr. Hohenberg.

– O que quer dizer com isso?

– Bem, deve saber que deixou muita gente perplexa com a sua nova profissão – Ela olhou em redor, para todos os disfarces de monstrinhos, animais, e bestas grotescas.

– Parece uma estranha vocação para um ex-herdeiro real. Aliás é mesmo por isso que vim para Londres. Para dar seguimento a essa linha de investigação.

– Não quer antes dizer que veio para me espiar? – Comentou Alek arqueando uma sobrancelha.

– Pode dizer-se que sim – Disse Miss Rogers com um sorriso. – Parece-me que há algo que não encaixa bem na história do Príncipe Aleksandar de Hohenberg, que trocou a sua coroa por um lugar como tratador de animais no zoológico. Certamente que deve haver algo que não sabemos sobre a Sociedade. Ou talvez sobre si próprio?

Alek encolheu os ombros e fez girar o seu guarda-sol. – Vou ficar de olho em si, Sr. Hohenberg.

– Tenho a certeza que será um prazer ser o alvo da sua atenção – Disse Alek com uma pequena vénia. – Mas por agora vai ter de me desculpar.

Ele afastou-se por entre a multidão sem esperar por uma resposta, porque perto de uma gigantesca escultura de gelo de Charles Darwin a domar um tigresco lupino, tinha avistado uma cabeça loira por entre os disfarces. Era definitivamente Deryn e ela não estava a usar nenhuma máscara.

Claro que Deryn usava uma máscara todos os dias, o disfarce de rapaz era uma constante na sua vida. Para ela ir a um baile de máscaras não devia precisar de mais nada a não ser as suas calças e blusão habituais.

Obviamente que insistir numa atitude dessas só iria contribuir para revelar o seu segredo.

Alek foi avançando aos encontrões pela multidão, ultrapassando um Spring-Heeled Jack e um Ned Kelly, o famoso bandido com o seu elmo de ferro. O cabelo loiro de Deryn apareceu novamente à sua frente, mas estava a afastar-se. Teria ela reparado que ele se aproximava e decidido encenar uma perseguição?

Finalmente, a multidão afastou-se e ele ficou cara a cara com Deryn Sharp. Quando reparou no seu disfarce, Alek ficou paralisado com um ar de espanto estampado na cara.

– Mas eu . . . – Balbuciou ele. – Você ganhou a aposta, eu é que perdi.

– Pois claro que ganhei. – Disse ela flectindo o braço para mostrar o músculo. – Mas nunca dissemos que o vencedor não podia vestir o que quisesse. E nós achámos que se iria sentir menos embaraçado se não fosse o único rapaz metido num vestido.

Alek olhou-a de alto a baixo. Deryn tinha uma espécie de vestido de noite que estava muito na moda entre as jovens citadinas, com um franjado nas costas e um cinto largo na cintura. Longos colares de contas envolviam o seu pescoço, enfiados no seu cinto ou pendurados pela altura das suas coxas.

Empoleirado na sua cabeça tinha um chapéu justo com uma longa pena de pavão a projectar-se para trás.

Olhando para o seu próprio vestido, demasiado formal e fora de moda com os laços e o faux-cul, Alek sentiu-se deselegante, enquanto Deryn estava cheia de estilo. O cabelo curto e figura esguia, o cerne do seu disfarce de aspirante, de repente já não pareciam tão masculinos como isso.

Ele questionou-se se algum dia as mulheres iriam usar cabelo assim tão curto. Certamente isso nunca aconteceria, mas ele tinha de admitir que o efeito era estranhamente atraente.

Então ele apercebeu-se do que Deryn tinha dito. – Nós ?

– Sim, nós os dois – Ela estalou os dedos, e Bovril bamboleou-se até eles vindo detrás da mesa com a escultura de gelo.

Alek arregalou os olhos ainda mais. O lorís perspicuo também estava disfarçado, num vestido de estilo nitidamente francês sem costas. Na verdade a criatura assemelhava-se a uma pequena boneca Pierrot.

Bovril levantou os olhos para Alek, e disse entre risos, – Rapaz num vestido.

Deryn abanou a cabeça – Francamente Alek, esperava que aparecesse com algum um pouco mais moderno.

– Foi você que escolheu o guarda-sol – disse Alek a rodopia-lo. – Tive de arranjar um vestido que combinasse!

– Pois, mas não está tão atraente como eu esperava. Mesmo assim é agradável vê-lo sem os seus velhos trapos Clanker. Agora que já não é o raio de um príncipe, devia mesmo actualizar o seu guarda-roupa.

Alek arqueou uma sobrancelha. – Podia-me ter dito que ficava contente com um simples casaco novo.

– Sim, qualquer coisa que não se pareça com um velho uniforme de cavalaria!

Alek suspirou. Desde que renunciou ao trono, ele praticamente não tinha dinheiro, apenas o pequeno salário pago pela Sociedade. Duvidava que o tio-avô, o Imperador, lhe mandasse algum tipo de abono nos tempos mais próximos. Portanto, tudo o que ele tinha para vestir eram os seus uniformes militares e o fato de cerimónia que o Sr. Hearst lhe tinha providenciado. Também tinha, é claro, algumas peças que tinha comprado em Istanbul, mas não eram muito apropriadas para usar em Londres. Este vestido tinha sido arranjado pela esposa de um dos cientistas da Sociedade, que não andava propriamente na moda nem era tão nova como isso.

– Pelo contrário, você está verdadeiramente deslumbrante – elogiou ele com uma vénia.

– Sim, ser enfiada num vestido não é tão mau como eu me lembrava – Deryn ofereceu o seu braço. – Vamos?

Alek, fez sinal a Bovril, que saltou imediatamente para os seus braços.

– Claro que sim, mas para onde?

– Há um pequeno vestiário ali ao lado, onde alguns dos cientistas deixaram as suas roupas normais. Está fechado, mas eu tenho a única chave – Deryn olhou-o de alto a baixo novamente. – E uma garrafa de champanhe, se a senhora aceitar beber um copo com um antigo aeronauta.

– Asseguro-lhe que não estou minimamente preocupado com as suas intenções, Sr. Sharp – Disse Alek.

– É bom saber isso, Sr. Hohenberg. Pois as minhas intenções são claras como água – E ela levou-o para longe daquela multidão de monstrinhos, bestas e aberrações, em direcção a algum sítio seguro e privado. Um sítio onde não importa quem está a vestir o quê.

Bovril, empoleirado no seu ombro, deu mais uma risota. – Sr. Hohenberg – disse a criatura.


Mais grandes.

Fan Art Friday

I have had interesting news about my work in progress this week, but it’s all super secret. It’s pretty cool, though, and you will all hear it about one day.

One day soon? MAYBE. Maybe one day somewhat less soon. But one day. I PROMISE.

Let me just say that things they are a-brewin’.

In the meantime, it’s time for FAF! Let’s do this.

We begin with some cool 3-D projects. First is a Clanker lamp from Kirsten. Here it is, both in its raw form and with the shade on:

Like I’ve often said, one of my favorite things to come out of Keith’s illustrations is the sense they give of Clanker and Darwinist physical culture. Not just machines and beasties, but simple things like desks and lamps. So thanks to Kirsten for following that vision.

And here’s Haley’s cool Leviathan-wing ring:

The wing wasn’t entirely Keith’s creation. It was something that the designer of the hardback cover of Levaithan, Sammy Yuen, put together from pieces of Keith’s art.

Speaking of wings, here’s Kaitlyn’s cool shot of Deryn using her body-kite outfit:

Nice. Love the color scheme, and the fact that it makes Deryn look a bit like the shot of Lilit from Behemoth.

And here’s another one from Kaitlyn with that always favorite theme: hangin’ on the ratlines:

And from Patricia, a blow-up of A CERTAIN CREATURE WEARING A CERTAIN COMEDY COSTUME PIECE. SEE IF YOU CAN GUESS BEFORE LOOKING.

Okay. I think you were right:

And finally some Uglies action, a cityscape of New Pretty Town from Trenton:

What I love about this is that it calls to mind the classic Saul Steinberg image of how New Yorkers see the world:

Well, played, Trenton!

Thanks to everyone for a stimulating FAF.

Russian Covers Crush All Others

I give you the Russian cover of Peeps . . .

Post-apocalyptic streetscape? Check.

Rock and roll girlfriend? Check.

Parasite-positive kitteh? Check.

Baleful moon of balefulness? Bonus check!

That is all. See you on Friday for FAF.

Manual Art Reveal: The Bridge

Here is the first of the art reveals for the upcoming Manual of Aeronautics, the all-color, large-format technical drawings and deck plans for the Leviathan series.

As you voted for, it’s a top-down image of the Leviathan‘s bridge, showing the controls, the aviary, the coding table, and the message lizard tubes. I was also surprised when I got this from Keith the first time, and saw that amazing pattern on the bridge floor. Very Edwardian, like something you’d see on the Titanic.

Click here to see it bigger, and of course it will be EVEN BIGGER in the Manual of Aeronautics!

You can pre-order it (the Manual, not an actual bridge) now from the usual online joints: Powell’s, Barnes & Noble, Amazon, or IndieBound. And it will be at your local bricks-and-mortar store on August 21.

Also, thanks to everyone who came to my and Justine‘s Sydney Writers’ Festival event. You were an incredibly attentive standing-room-only crowd, and we had a great time. Thanks to SWF for having us, and for treating us so well.

Ciao till later this week, when there will be more Russian covers! (And Fan Art Friday, naturally.)

Russian Behemoth Cover

So the voting on my last post seems to be overwhelmingly in favor of the Leviathan bridge as the first art reveal. Well, it turns out I don’t have a hi-res file for anything in the Manual!

HAH!

So yes, I’ve sent off to Keith, and it should be here soon. In the meantime, please enjoy the Russian cover of Behemoth:

That’s pretty bad-ass. I love the giant Sahmeran sneaking up on Alek from behind.

Okay the BRIDGE ART WILL BE HERE SOON.

Also, don’t forget that tomorrow is my thing at the Sydney Writers Festival:

A Neverending Story: Fantasy Worlds
Sunday, May 20
11:30AM-12:30PM

Scott Westerfeld, Isobelle Carmody, Justine Larbalestier, and Joy Lawn (facilitator)
Sydney Dance 4, Pier 4/5, Hickson Road, Walsh Bay

Here are the details.

First Aeronautics Art Reveal—A Vote!

Okay, the Manual of Aeronautics comes out August 21, a mere three months and a bit from now, so it’s time to start the art reveals!

In keeping with tradition, let’s have us a vote. I’ve chosen three possible pieces of art to reveal, so choose wisely.

Which would you rather see in glorious color?

1) The bridge of the Leviathan

2) A Sultan’s elephant walker

3) A fléchette bat!

Use the comments thread below to vote (by number makes it easier), or simply to cajole, convince and coerce your fellow commenters about how they should vote.

Sydneysiders! Don’t forget that Justine, Isobelle Carmody and I will be at the Sydney Writers Festival this Sunday. Come see us talk. It’s free!

A Neverending Story: Fantasy Worlds
Sunday, May 20
11:30AM-12:30PM

Scott Westerfeld, Isobelle Carmody, Justine Larbalestier, and Joy Lawn (facilitator)
Sydney Dance 4, Pier 4/5, Hickson Road, Walsh Bay

From steampunk to the supernatural, from urban fantasies to dystopian futures, our love affair with speculative fiction is all-consuming.

Three authors who create imagined worlds explore our enduring fascination with fantasy and unpick the complexities of the genre. Isobelle Carmody, Scott Westerfeld and Justine Larbalestier talk to Joy Lawn.

Here are the online details for this event.

FAF (Mostly Monochromatic Edition)

Here’s a round up of fan art from the last two weeks, mostly in a black and white mode, with some BONUS NEWS at the end.

Let’s start with the art that was handed to me at my Free Comic Book Day event at Kinokuniya in Sydney. Thanks again to everyone who came and said nice things to me on my birthday, and especially to those who handed me art and cake.

First there was some Midnighters art from (appropriately) Melissa:

Yes, that’s Rex looking pretty cool, and I like how Melissa seems a bit annoyed at having to pose for the drawing.

And from Christina, a triptych of Tallys:

The hot air balloons are a cool touch, as are the necklace, interface cuff, and knife for each Tallyversion.

And finally, from Meshell, I got Alek and Deryn as lovebirds:

It’s cool that I got fan art from every trilogy at that event. You’re all doing a good job of coordinating! Plus: OBLIGATORY LORIS WITH MUSTACHE.

And now return to the regular mode of art delivery, these were all sent to me via the internets.

Here from Laura is a bit of Darwinist fashion design!

One of the coolest thing about Keith’s art is how it hints that there would be a whole different Darwinist culture out there, with clothes, furniture, and whatnot all influenced by the Victorian biotechnology at the base of Darwinist society. This hat is a great example of what all that might look like, complete with bee and nautilus-shell motifs.

And here’s a very a spunky-looking Deryn from Lilly.

I like her haircut, and the way she’s leaning forward, ready to go.

And briefly leaving the monochrome, here’s some Deryn cosplay from Alexa, showing before and after:

Pretty amazing difference. According to Alexa, this transformation required “two rolls of athletic tape, half a can of hairspray, and many uncountable bobby pins.” Just remember that the next time you’re cross-dressing: Never say die!

And finally, here’s a lovely still life in the stack-of-books mode, which for some reason I have lost all attribution to except the letter “g”:

Please identify yourself, G!

And now for the NEWS . . .

Given that the Manual of Aeronautics, the all-color large-format guide to the world of Leviathan, will be appearing on August 21, it’s almost time to start THE OBLIGATORY ART REVEALS. I’ve decided to do one twice a month, on the 1st and 15th. (I hope that’s not too much for you guys.)

May 15 will be the first of these, or maybe that’s when we’ll do some voting for the first reveal. BUT SOON.

And finally, Sydneysiders can see me tonight at:

The Aurealis Awards
Saturday, May 12
7:30 for an 8PM start
Independent Theatre
269 Miller Street
North Sydney NSW 2060

The Aurealis Awards celebrate the achievements of Australian science fiction, fantasy and horror writers every year. Kate Forsyth with be mistress of ceremonies, and I’ll be presenting the award for Best Illustrated Book or Graphic Novel.

You can get tickets here.

More Sydney Appearances

Thanks to everyone for a fantastic time at Kinokuniya’s Free Comic Book Day. There was cake. I have proof:

Lots of people brought me cool fan art, which I’ll be sharing with you next Friday.

For you Sydneysiders who missed me, I’ll be appearing twice more in the next two weeks. The first one:

The Aurealis Awards
Saturday, May 12
7:30 for an 8PM start
Independent Theatre
269 Miller Street
North Sydney NSW 2060

The Aurealis Awards celebrate the achievements of Australian science fiction, fantasy and horror writers every year. Kate Forsyth with be mistress of ceremonies, and I’ll be presenting the award for Best Illustrated Book or Graphic Novel.

You can get tickets here.

And the second:

Sydney Writers Festival
A Neverending Story: Fantasy Worlds
Sunday, May 20
11:30AM-12:30PM
Me, Isobelle Carmody, Justine Larbalestier, and Joy Lawn (facilitator)
Sydney Dance 4, Pier 4/5, Hickson Road, Walsh Bay

From steampunk to the supernatural, from urban fantasies to dystopian futures, our love affair with speculative fiction is all-consuming.

Three authors who create imagined worlds explore our enduring fascination with fantasy and unpick the complexities of the genre. Isobelle Carmody, Scott Westerfeld and Justine Larbalestier talk to Joy Lawn.

Here’s the online details for this event.

And finally, here’s a little promo for my sister-in-law’s new e-book start-up, SnappyAnt. Her first app is an animated and read-out-loud iPad version of a picture book called My Mom’s the Best, by Rosie Smith, with illustrations by Bruce Whatley. You know, for Mother’s Day!

It’s all about wee baby beasties interacting with their moms, and is very cute.

Note that in Australia and UK iTunes store, it comes in its original Oz-English version: My Mum’s the Best. (Fight the power!)

You can check it out at the iTunes store.

Okay, that’s it. See you on Friday for FAFF, if not sooner.

Fan Art Friday (Loris/Moggle Edition)

Hello, and welcome to FAF, or perhaps I should say FAFF, as in Fan Art Friday Fortnightly. Indeed, I haven’t been posting much of anything lately, but that’s only because I’ve been working on a New S3krit Project! It’s a new novel with all new characters and stuff, and I’ve finally found my stride. IT IS GETTING WRITTEN.

“When will this novel be out?” you may ask.

Indeed, you may. But I don’t know yet. Maybe autumn of 2013, maybe a year after that. I know, that’s a long time. But novels are long things, and publishing timelines are even longer things, and I can tell you that this novel is probably going to be FAT. (Like, longer than any of my other books.)

As for all the other possible questions you might have, they must wait for another day. This particular s3krit project is still too fragile to be interrogated and explicated.

Also, it’s time for FAF! Since mentioning the unnamed-loris-with-mustache thread last time, I’ve gotten a lot of loris/Bovril/Moggle art. So really this is all about the sidekicks.

The first one is from Adam, and it’s a shot of the kraken scene in Leviathan.

It’s great to see that encounter from a distance.

I’ve also been getting some Shay’s Story fan art trickling in, which is totally cool. Keep it coming. Here’s a notebook doodle of Shay from Daliz:

I like that the Uglies character have manga versions now, whether with pigtails up or down.

The rest of today’s FAF is all lorises and Moggle in many different media! Thanks to everyone for sticking with a theme.

First, some Bovril/Moggle crossover from Phrancie:

They are clearly going to conquer the world together. Or run into a lamppost, maybe.

Next is the highly anticipated Moggle-with-a-mustache, again from Oskar and his Spore software:

Undercover Moggle is undercover. And jaunty.

And we also have photoshopped Bovril, or quasi-Bovril creature, from Rebecca:

If you’re going to wear a mustache, you should probably get a top hat. It’s funny because it’s true.

And in case you’ve forgotten what the real Bovril looks like, Alex offer this book-style rendering of the Bovril birth scene:

He totally gets Keith’s composition right. It’s cool how Bovril in that scene isn’t cute yet, more kind of new-born and weird. But then gets cuter and cuter as the series progresses.

Okay, that’s it. I’ll be back in two weeks with more FAF. And probably before then I’ll post something interesting, though I don’t know what.

Sydneysiders, don’t forget that net Saturday I’ll be at Free Comics Book Day at Kinokuniya! Here’s the FaceBook page for the event, and here are the details:

Kinokuniya Bookstore
Lvl 2, The Galeries, 500 George Street
Sydney, NSW 2000
Saturday, May 5, 2012
10AM-7PM (I’ll be there from 11AM-4PM-ish.)

Hope to see you there.

Free Comic Book Day

I’ll be celebrating Free Comic Book Day here in Australia, so I hope to see some of you Sydneysiders at Kinokuniya on May 5. (Also known as MY BIRTHDAY.)

This is the first time I’ll be a guest at an FCBD, thanks to my first ever graphic novel, Shay’s Story.

I’ll be at Kinokuniya from 11AM to 4PM, in the Artists’ Alley.

Here’s the FaceBook page for the event, and here are the details:

Kinokuniya Bookstore
Lvl 2, The Galeries, 500 George Street
Sydney, NSW 2000

Saturday, May 5, 2012
10AM-7PM

ARTISTS’ ALLEY, 11am – 4pm
A great opportunity to meet some of our best local comic artists and writers.

COSPLAY COMPETITION
We’re looking for the best Comic/Manga, Undead and Gothic Lolita costumes for both adults and kids. More details will be provided closer to the date.

See you there.